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Pousa a mão na minha testa
-Não te doas meu silêncio
Estou cansado de todas as palavras
Não sabes que te amo?
-Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
-Amor
(Manoel Bandeira)
Aparição Amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pela, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
a aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola
(Carlos Drummond de Andrade)
tudo e nada, descarrego da mente
segunda-feira, 12 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Minha Indentidade
terça-feira, 23 de março de 2010

Pousa a mão na minha testa
-Não te doas meu silêncio
Estou cansado de todas as palavras
Não sabes que te amo?
-Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
-Amor
(Manoel Bandeira)
Aparição Amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pela, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
a aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola
(Carlos Drummond de Andrade)
segunda-feira, 15 de março de 2010
A Estrada para Ítaca
Quando você iniciar sua jornada para ítaca,
Reze para que a estrada seja longa,
Cheia de aventura, cheia de conhecimento,
Não tema os Lestrigonianos
E os Ciclopes e a fúria de Poseidon.
Você nunca encontrará tais coisas em seu caminho,
Se os seus pensamentos permanecerem nobres,
Se uma bela emoção tocar seu corpo e seu espírito.
Você nunca encontrará os Lestrigonianos,
Os Ciclopes e a maldade de Poseidon,
Se você não leva-los dentro de sua alma,
Se sua alma não invocá-los por você.
Então reze para que a estrada seja longa.
Que as manhãs de verão sejam muitas,
Que você entre em portas vistas pela primeira vez
Com muito prazer, com muita alegria!
Pare nos mercados Fenícios,
E compre boas mercadorias,
Pérolas e corais, âmbar e madeira de lei,
E perfumes finos de toda marca,
Compre quanto perfume quanto você puder;
Visite hóspedes de cidades Egípcias,
Para aprender e aprender daqueles que têm conhecimento.
Sempre mantenha Ítaca fixa em sua alma.
Chegar lá é o seu último objetivo.
Mas não apresse a viagem de maneira alguma.
É melhor deixá-la durar por longos anos;
E mesmo ancorar numa ilha quando você estiver velho,
Com a riqueza que você adquiriu no caminho,
Não esperando que Ítaca oferecerá riquezas para você.
Ítaca forneceu a você a linda viagem.
Sem ela você nunca teria pegado a estrada.
Mas ela não tem mais nada a dar para você.
E se você achá-la pobre, Ítaca não terá enganado você.
Com a Grande Sabedoria que você adquiriu, com tanta experiência,
Você deve certamente ter entendido por fim o que Ítaca significa.
C. P. Cavafy
(Poema Grego)
Reze para que a estrada seja longa,
Cheia de aventura, cheia de conhecimento,
Não tema os Lestrigonianos
E os Ciclopes e a fúria de Poseidon.
Você nunca encontrará tais coisas em seu caminho,
Se os seus pensamentos permanecerem nobres,
Se uma bela emoção tocar seu corpo e seu espírito.
Você nunca encontrará os Lestrigonianos,
Os Ciclopes e a maldade de Poseidon,
Se você não leva-los dentro de sua alma,
Se sua alma não invocá-los por você.
Então reze para que a estrada seja longa.
Que as manhãs de verão sejam muitas,
Que você entre em portas vistas pela primeira vez
Com muito prazer, com muita alegria!
Pare nos mercados Fenícios,
E compre boas mercadorias,
Pérolas e corais, âmbar e madeira de lei,
E perfumes finos de toda marca,
Compre quanto perfume quanto você puder;
Visite hóspedes de cidades Egípcias,
Para aprender e aprender daqueles que têm conhecimento.
Sempre mantenha Ítaca fixa em sua alma.
Chegar lá é o seu último objetivo.
Mas não apresse a viagem de maneira alguma.
É melhor deixá-la durar por longos anos;
E mesmo ancorar numa ilha quando você estiver velho,
Com a riqueza que você adquiriu no caminho,
Não esperando que Ítaca oferecerá riquezas para você.
Ítaca forneceu a você a linda viagem.
Sem ela você nunca teria pegado a estrada.
Mas ela não tem mais nada a dar para você.
E se você achá-la pobre, Ítaca não terá enganado você.
Com a Grande Sabedoria que você adquiriu, com tanta experiência,
Você deve certamente ter entendido por fim o que Ítaca significa.
C. P. Cavafy
(Poema Grego)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Conturbado
Eu estava muito feliz hoje, claro que muito feliz superficialmente.
Até que alguem me falou algo, que me fez olhar pra dentro, pra trás, pra mim, e não demorou para as lágrimas começarem a borbulhar.
Como eu faço pra viver onde meus ideais não se encaixam?
Falar que eu sou eu mesma é hipocrisia e negligência já que não posso ser eu mesma.
Mas tudo tem o seu timing e não chegou a hora de me libertar ainda, pois eu não desenvolvi minhas próprias asas.
Quando eu me posicionar, eu não vou me importar com nada nem ninguém, porque serei feliz apenas por ser eu mesma e ser reconhecida assim.
Até que alguem me falou algo, que me fez olhar pra dentro, pra trás, pra mim, e não demorou para as lágrimas começarem a borbulhar.
Como eu faço pra viver onde meus ideais não se encaixam?
Falar que eu sou eu mesma é hipocrisia e negligência já que não posso ser eu mesma.
Mas tudo tem o seu timing e não chegou a hora de me libertar ainda, pois eu não desenvolvi minhas próprias asas.
Quando eu me posicionar, eu não vou me importar com nada nem ninguém, porque serei feliz apenas por ser eu mesma e ser reconhecida assim.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Minha Vida Lisérgica
Era uma vez uma lichia, que se apaixonou pelo mirtilo. Eles tiveram um filho ornitorrico, também conhecido como Ornitonco. Eles eram espontâneos e mudavam de cores. Cagavam marshmallows e nadavam no rio de chocolate. Eles não gostavam de galinhas, porque dá dor nas costas. Seu deus era a Bolha (ela quica na água)! Eles não morriam, porque eles viam seus próprios átomos. E os dias se passaram enquanto eles dançavam Daft Punk nas estrelas ...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A decepção ataca de surpresa
Me sinto enganada constantemente
sinto, além da impureza, a falsidade em volta de mim
estou perdida !
estou me sustentando, entretanto não sei quanto tempo as minhas pernas irão aguentar
vejo a podridão e cuspo
com raiva, com asco, com desespero
como eu vim parar aqui?
eu não me lembro de ter andado até este local. Eu pisei em um caminho que eu não enchergo mais, pois ele mudou, as flores secaram e as folhas no chão sumiram, mostrando um solo de estrume e vermes.
Espero que não tenha sujado os meus pés nessa sujeira.
Quando eu sair daqui eu vou saber, pois eu vou conseguir respirar fundo e pensar que o que eu deixei para trás não me faz falta nenhuma.
sinto, além da impureza, a falsidade em volta de mim
estou perdida !
estou me sustentando, entretanto não sei quanto tempo as minhas pernas irão aguentar
vejo a podridão e cuspo
com raiva, com asco, com desespero
como eu vim parar aqui?
eu não me lembro de ter andado até este local. Eu pisei em um caminho que eu não enchergo mais, pois ele mudou, as flores secaram e as folhas no chão sumiram, mostrando um solo de estrume e vermes.
Espero que não tenha sujado os meus pés nessa sujeira.
Quando eu sair daqui eu vou saber, pois eu vou conseguir respirar fundo e pensar que o que eu deixei para trás não me faz falta nenhuma.
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